Projeto escolar usa impressão 3D para reconstruir sítio megalítico de Calçoene (AP)
Com apoio do Iphan e do Governo do Amapá, projeto aproxima nova geração da história dos povos originários

Três alunas do 9º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Elias de Freitas Trajano de Souza, em Porto Grande (AP), estão participando de um projeto que usa tecnologia moderna para replicar artefatos arqueológicos com mais de mil anos de história. A ideia do projeto “Arqueologia na Prática: reconstruindo o sítio megalítico de Calçoene com impressão 3D” partiu do professor Evandro Barros, há alguns anos, quando ele ainda trabalhava na divisão técnica da superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amapá.
O sítio arqueológico, localizado no município de Calçoene, litoral norte do estado, é marcado por grandes rochas de granito, de até 4 metros de comprimento, dispostas em um círculo no que se supõe ter sido utilizado como observatório astronômico pelos povos originários da região.
“Nós já pensávamos em levar o sítio de Calçoene para a sala de aula. Cheguei a cogitar a criação de um aplicativo para que as pessoas pudessem se visualizar dentro do monumento megalítico, mas a ideia não avançou”, relembra o professor.
O cenário mudou em março deste ano, quando o governo estadual lançou um edital de iniciação científica que selecionaria dez projetos para receber um fomento de R$ 10 mil cada. Foi a oportunidade perfeita para o docente desenvolver e inscrever o projeto, contemplado pelo edital em maio.
Com o recurso, o projeto ganhou vida na Escola Estadual Elias de Freitas Trajano de Souza, onde Evandro organizou um concurso interno em que os estudantes enviaram vídeos sobre o sítio arqueológico. Após a avaliação de uma banca externa do Núcleo de Pesquisa Arqueológica (NuPArq), do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), os vídeos selecionados foram das alunas Ana Vitória Freitas do Carmo, Julia Maria Almeida Nogueira e Maria Luiza dos Santos Cunha, todas do 9º ano.

Após o resultado do edital, Evandro buscou apoio do Iphan para organizar uma expedição ao sítio arqueológico, com o objetivo de captar as imagens necessárias para a modelagem e posterior impressão em 3D. Com as alunas já selecionadas, o professor as levou ao Núcleo de Tecnologia Educacional do Amapá (NTE), vinculado à Secretaria de Estado de Educação. Lá, puderam compreender de perto o funcionamento de uma impressora 3D e acompanhar, na prática, a produção do primeiro protótipo do monumento, fabricado no dia 12 de junho.

Próxima fase
Atualmente, o projeto avança para segunda fase. O objetivo agora é confeccionar uma réplica em escala maior, que receberá acabamento com pintura detalhada, a instalação de uma bússola e um projetor de estrelas para simular o alinhamento astronômico do local. “É a primeira vez na história que a está sendo usada a impressão 3D para imprimir um sítio megalítico”, declara o professor. O protótipo finalizado será apresentado na feira de ciências da escola e na Feira de Ciências e Engenharia do Estado do Amapá (Feceap), em 25 de agosto.
“Esta ação pedagógica interdisciplinar alia ferramentas digitais à pesquisa arqueológica, transformando a dinâmica de aprendizado em um exercício prático de cidadania e preservação”, diz o professor Evandro. “A proposta impulsiona a autonomia intelectual dos alunos, estreitando os laços das novas gerações com as raízes e as referências culturais locais.”
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