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Estatística da Secretaria de Governo Digital desenvolve algoritmo usado pelo Banco de Portugal e se destaca em competições europeias ao aplicar aprendizados do La-Bora! Gov
Servidora do MGI vence prêmios internacionais com inovação em dados e impacto social
Juliana Machado, servidora do Ministério da Gestão e da Inovação em serviços públicos (MGI), foi premiada neste mês de janeiro pelo algoritmo que criou e passou a ser utilizado pelo Banco de Portugal. Ela recebeu o prêmio Master's Thesis Competition (MTC) promovido pelo Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat) para escolher os melhores trabalhos de mestrado em Estatísticas Oficiais da Europa. Esse reconhecimento se acumula com o prêmio do European Big Data Hackaton em 2023. Segundo a estatística e cientista de dados da Secretaria de Governo Digital (SGD), os aprendizados obtidos enquanto integrante do La-Bora! Gov estiveram presentes nas duas conquistas.
Algoritmo inovador transforma dados em soluções práticas
Durante seu estágio de mestrado no Banco de Portugal, o equivalente ao Banco Central do Brasil no país luso, Juliana teve acesso a um banco de dados de estoques de supermercados com centenas de milhares de itens. Ela percebeu que, analisados, poderiam mostrariam a variação de preços de produtos oferecidos aos consumidores finais. “Existem muitas bases disponíveis que podem deixar as estatísticas oficiais mais rápidas, e, quem sabe, desenvolver políticas públicas para baixar o preço de algum alimento. Achei super relevante utilizar essas bases”, conta.
A tarefa parecia desafiadora: organizar dados complexos e sem padrão para torná-los utilizáveis. Ela diz que lhe desanimaram ao dizer que seria difícil trabalhar com essas informações, pois cada supermercado denominava os mesmos produtos de formas diferentes, sem uma categorização oficial. Por isso o Banco de Portugal tinha uma base de dados que vinha sendo coletada diariamente havia anos, mas que até então não conseguia utilizar.
“No início eu me desesperei, pensando que iria gastar muito tempo arrumando a base de dados. Mas aí eu, que trabalhei no La-Bora! Gov, lembrei que os problemas são muito importantes. ‘Comece pelo problema, se apaixone por ele’. Eu ouvi muito sobre o assunto. Então eu coloquei o problema debaixo do braço e decidi tentar resolver de alguma forma interessante”, diz ela. A servidora fez isso: definiu que a questão a resolver era a classificação dos produtos segundo a Classification of Individual Consumption According to Purpose (COICOP), utilizada oficialmente pela União Europeia.
A partir daí, Juliana pesquisou possibilidades variadas, criou regras para rotular produtos e, após algum trabalho inclusive manual, fez e treinou um algoritmo capaz de classificar automaticamente os produtos, incluindo novos lançamentos. “E deu muito certo. Eu consegui fazer isso bem”, comemora. Sua inovação torna a análise mais eficiente e aplicável em diferentes contextos. “Finalizei o trabalho em julho de 2023, o Banco de Portugal me disse que ainda estão usando lá, aplicando o meu algoritmo, e que foi de excelente mais valia. Eles podem usar para tirar insights, calcular inflação em tempo real, por exemplo.”
De big data à prevenção de surtos
Juliana também foi premiada em 2023, durante sua participação no European Big Data Hackathon, uma competição que reúne institutos de estatística de toda a Europa, com participantes de diferentes graus de formação acadêmica. Sua equipe, formada por ela e mais dois estudantes de mestrado, foi condecorada pelo sistema de alerta antecipado que desenvolveram.
No evento, o grupo filtrou as compras feitas em farmácias e drogarias presentes em um banco de dados de compras de cartões de créditos, fornecido pelos organizadores. Com isso, conseguiram prever que poderiam estar ocorrendo surtos de doenças a partir do aumento do valor gasto em farmácias. Se utilizado o seu cálculo, por exemplo, talvez o surto de covid-19 poderia ter sido previsto, informa.
Mas Juliana conta que o diferencial estava na apresentação: “Eu usei todos os conceitos que eu aprendi no La-Bora! Gov para formatar essa apresentação. Vi muita gente que falava de uma forma muito técnica sobre o algoritmo que usou. O trabalho podia ser legal até, só que, na hora da apresentação, engrandeciam o como, e não o porquê. Um grande diferencial para a gente vencer o prêmio foi justamente mostrar por que aquilo era importante, construímos um bom fio lógico. O storytelling (história com dados) da apresentação também ficou muito legal”, revela. No palco, entre os componentes das seis melhores equipes da Europa, a sua era a única que tinha duas mulheres e duas pessoas brasileiras, além de ser a única formada por mestrandos.