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Agência Museu Goeldi - A exposição “Encontros: círios de fé, resistência e identidade na Amazônia” está aberta e disponível para visitação no Museu do Círio até 15 de setembro de 2025. A realização da mostra é fruto da parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e conta com a co-curadoria de Nelson Sanjad, historiador e pesquisador da instituição sesquicentenária.
Dividida em cinco eixos, a mostra celebra a religiosidade e a memória coletiva. Na seção “O Círio negro de Jacques Huber“ os visitantes podem conferir preciosas imagens do Círio de Nossa Senhora de Nazaré produzidas entre 1895 e 1905 capturadas pelo botânico suíço, ex-diretor do Museu Goeldi e pioneiro que impulsiona os estudos botânicos na Amazônia brasileira.
Jacques Huber (1867-1914) veio para Belém em 1895 contratado por Emílio Goeldi, então diretor do Museu Paraense de História Natural e Etnografia, antigo nome do MPEG, e comandou a instituição de 1907 até o seu falecimento, em 1914.
Huber é também um dos pioneiros da fotografia científica, tendo aprimorado os seus métodos de registro fotográfico, aplicando-os não somente à pesquisa em botânica, como também à documentação de cenas do cotidiano, o que o torna igualmente o primeiro a fazer uma etnografia visual do Círio. Clique aqui para saber mais sobre Huber e sua história com a fotografia, tema de outras exposições em 2024.
A seção intitulada “O Círio negro de Jacques Huber”, da exposição “Encontros: círios de fé, resistência e identidade na Amazônia”, tem como intuito trazer à tona as identidades das pessoas que formavam a procissão e foram invisibilizadas na memória coletiva e também na historiografia. De acordo com Sanjad, as obras apresentam uma perspectiva absolutamente diferente da procissão: “Já se sabia que a devoção à Nossa Senhora de Nazaré foi apropriada por afro-brasileiros no século XIX e que eles acompanhavam a procissão em massa. Mas não tínhamos imagens que demonstrassem isso, a dimensão da participação de negros nem seu papel ou protagonismo na festa”.
Para Sanjad, a inexistência de fotografias do Círio no século XIX está diretamente relacionada ao protagonismo dos afro-brasileiros na procissão e nas festividades do arraial. “As elites simplesmente não se interessavam ou não se identificavam, apesar de participarem da procissão, de longe ou de suas varandas e balcões, e de algumas atrações do arraial, sobretudo os homens. As fotografias de Huber vieram para preencher essa lacuna, demonstrando o protagonismo dos negros na procissão”, enfatiza o pesquisador.
A primeira fotografia dele sobre o Círio é um registro realizado da varanda do Theatro da Paz em direção à atual Avenida Presidente Vargas. A foto foi produzida dois meses após a chegada do cientista em Belém, em 1895, quando ele assistia à procissão pela primeira vez. A partir deste contato inicial, Jacques Huber fez registros pioneiros da festividade, que geraram novas questões e pesquisas depois de as fotos serem (re)descobertas no ano de 2014, graçasa um projeto de pesquisa do Museu Goeldi, financiado pela CAPES e desenvolvido em colaboração com o Museu de História Natural de Berna, na Suíça.
A colaboração estabelecida entre o Museu Goeldi e o Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIMM), unidade da Secretaria de Cultura do Pará (Secult-PA) que mantém o Museu do Círio, começou a ser discutida em 2024. Segundo o Coordenador de Museologia do MPEG, Emanoel Fernandes Jr., “a parceria surgiu pautada na ideia de que as instituições museais da região partilham muito mais do que definições conceituais e, eventualmente, acervos em comum, e que por isso devem se organizar em torno de cooperações dessa natureza”.
Emanoel considera que aborda a exposição o Círio como palco de múltiplas identidades e resistências culturais que, ao longo dos séculos, vêem moldando essa manifestação tão importante para a região.
Texto: Henrique Pimenta
Edição: Joice Santos
SERVIÇO
Exposição: “Encontros: círios de fé, resistência e identidades na Amazônia”
Local: Museu do Círio (Rua Pe. Champagnat, s/n, Cidade Velha - Complexo Feliz Lusitânia)
Período: De 15 de janeiro a 15 de setembro
Horário: De terça a quinta-feira - 09h às 14h / De sexta a domingo - 09h às 17h