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Notícias
AÇÕES TRANSNACIONAIS
Mariana Raphael/MEsp
Brasília, 24/01/2025 - Os riscos de corrupção e de tráfico de pessoas na transferência de atletas foi tema de painel apresentado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) durante o Seminário Internacional sobre Integridade e Prevenção à Corrupção no Esporte – Protegendo o Esporte Brasileiro. O debate, que reuniu especialistas nacionais e internacionais, ocorreu nessa quarta-feira (22) e quinta-feira (23), e foi promovido pelo Ministério do Esporte, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em Brasília (DF).
A coordenadora-geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes, da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), Marina Bernardes, uma das palestrantes do painel. Ela falou sobre a realidade e os desafios do enfrentamento a esse tipo crime, que usa o esporte como fachada para explorações diversas. “As transferências de atletas, especialmente jovens, muitas vezes são permeadas por falsas promessas, contratos irregulares e exploração, visto que são pessoas motivadas pelo sonho legítimo de melhorar a vida dos familiares e de buscar a ascensão social e profissional por meio do esporte”, afirmou.
Nesses casos, o delito geralmente conta com a atuação de intermediários e de agentes irregulares, que operam sem regulamentação para explorar a vulnerabilidade dessas pessoas. Eles frequentemente solicitam pagamentos antecipados sob justificativa de regularização de documentos ou de custos de deslocamentos aéreos.
Os passaportes, os contratos e as autorizações são, geralmente, falsificados para facilitar a condução das vítimas para locais com fiscalização reduzida, onde ficam ainda mais expostas à exploração. “O aliciamento pelas redes sociais é crescente, especialmente pelo Instagram, onde intermediários se aproximam de jovens atletas e familiares para oferecer falsas oportunidades que, na verdade, escondem práticas criminosas”, explicou Marina.
Além disso, segundo a coordenadora-geral, “como o futebol feminino está em crescimento no Brasil, é de suma importância informar às meninas e às adolescentes adeptas do esporte sobre as possibilidades de realizar uma migração segura e sobre os riscos em relação ao tráfico de pessoas”.
Veja o documento apresentado durante a palestra.
O tráfico de pessoas é um crime ainda invisível, pois as vítimas, muitas vezes, têm medo, vergonha ou desconhecimento da sua condição. A falta de informação sobre os mecanismos de denúncia também são um obstáculo para a apuração desse tipo de violação.
Denúncias
Para fazer denúncias anônimas: Disque 100 (para violações de direitos humanos, de crianças e de adolescentes) ou Ligue 180 (para violações contra mulheres e meninas). Para atletas, há também o Disque Esporte (0800-942-9100).
Seminário internacional
O seminário teve como objetivo promover a discussão sobre os riscos de corrupção e de fraude, com foco em tendências emergentes e estratégias regulatórias eficazes. A troca de melhores práticas e a busca de maior transparência e integridade envolveram representantes de organizações esportivas, autoridades legais e especialistas.
Outros temas debatidos foram investigação e manipulação de competições, corrupção, racismo, abuso e questões de gênero nos esportes; combate às apostas ilegais; ameaças de crimes graves; integridade e educação como ferramentas de prevenção a más condutas; e processos e análises relacionadas à manipulação.
Além de Marina Bernardes, o seminário contou com a participação do coordenador de Investigação Criminal da Polícia Judiciária de Portugal, Luis Ribeiro; do secretário Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, do Ministério do Esporte, Athirson Mazolli; e do coordenador do Programa do UNODC sobre a Proteção do Esporte contra a Corrupção e o Crime Econômico, Ronan O'Laoire.