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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, unidade de pesquisa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI, tem como uma de suas atribuições mapear a situação de satélites no espaço. Hoje apresentaremos como esse mapeamento é realizado, com o pesquisador Mauricio Ferreira, da Coordenação de Rastreio, Controle e Recepção de Satélites – CORCR.
A CORCR trabalha 24 horas por dia, todos os dias da semana, e é responsável por controlar satélites que estão a 750 km de altura e a 28 mil km/h, conhecidos como satélites de órbita baixa, e também receber telemetrias e enviar telecomandos. O rastreamento acontece quando os satélites passam pela faixa de visibilidade das estações. Atualmente, a CORCR conta com três estações, o Centro de Controle de Satélites (CCS) em São José Dos Campos, e as estações de rastreio e controle em Cuiabá- MT e Alcântara – MA.
Os Satélites de Coletas de Dados, SCD1 lançado em 1993, e SDC2 lançado em 1998, são exemplos de satélites que tem suas órbitas equatoriais. Ambos os satélites foram projetados para ter uma vida útil de um ano, mas estão em funcionamento até hoje. Eles têm a função de recolher, das plataformas de coletas de dados meteorológicos espalhadas pelo país, informações como umidade relativa do ar, vento e pressão atmosférica. Em média, ficam visíveis nas estações de Cuiabá ou Alcântara por aproximadamente 12 minutos. Durante esse curto período os satélites descarregam os dados coletados pela plataforma, e essas informações são encaminhas para o Centro de Missão de Dados.
Outra família de satélites de órbita baixa são os de Sensoriamento Remoto, CBERS 4, 4A, e o Amazonia 1. Esses satélites fazem o monitoramento da Amazônia, costas, plantações, dentre outros. Esses são satélites de órbitas polares, passando do Polo Norte ao Polo Sul, ficando em visibilidade para as estações em duas órbitas pela manhã, e duas órbitas no período da noite.
Tanto os satélites SCDs quanto os de Sensoriamento Remoto, quando estão visíveis pelas estações, enviam informações, denominadas telemetrias, que apresentam as informações internas dos satélites, como carga da bateria, voltagem de determinado circuito, se a câmera está ligada ou desligada e etc. É função da equipe de operação do CCS, analisar essas informações e também realizar manobras com o satélite, caso seja necessário.
As operações são feitas por telecomandos enviados do CCS para as estações e irradiados aos satélites. Por exemplo: se for preciso realizar um imageamento de Brasília – DF, a equipe verifica com quanto tempo de antecedência a câmera precisa estar posicionada e ser ligada. Os dados do imageamento, também conhecido como “dados de carga útil”, são enviados para a unidade de Cachoeira Paulista – SP, onde é processada a imagem.
Outra função do CCS é a determinação de órbita de cada satélite e a análise de lixo espacial, os chamados “Debris”. A determinação de órbita calcula a posição exata do satélite no espaço, lembrando que os satélites estão a 750 km de altura e a 28 mil km por hora, portanto um segundo é um deslocamento significativo.
Os “Debris” são pedaços de satélites espalhados no espaço. Esses lixos podem estar na mesma órbita de um satélite, com velocidade próxima a deles, e com tamanho que pode variar de dois centímetros a dois metros. Quando identificada a possibilidade de colisão, é feito um estudo sobre a órbita desse “Debri” para saber se realmente existe essa possibilidade. Caso exista, é realizada uma manobra no satélite para retirá-lo da rota de colisão.
O espaço não tem dono, mas ele é muito bem monitorado, então antes de realizar o lançamento de um satélite é preciso definir sua posição, ou seja, sua órbita. Nos Estados Unidos existe um centro que controla todas as órbitas dos satélites lançados ao espaço.
Atualmente existem no espaço aproximadamente seis mil satélites de órbita baixa e cem mil “Debris” catalogados.