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CONCURSO NACIONAL
Política inovadora, o primeiro Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) cumpriu o objetivo de democratizar o acesso ao serviço público, ampliando a diversidade regional e a inclusão social na formação do quadro de servidoras e servidores federais. Esse balanço positivo foi feito pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, em entrevistas concedidas à imprensa e publicadas no último sábado, 29 de março.
“O CPNU foi o maior concurso da história e temos uma avaliação muito positiva dele”, disse a ministra. O perfil dos aprovados e convocados para cursos de formação mostra o impacto positivo da política de cotas, que há muitas pessoas vindo do interior e que pouco mais da metade não possuem experiência no serviço público. “Isso indica que ele mobilizou um perfil diferente daquele que costumamos ver nos concursos”, destacou Esther Dweck. A análise de perfil dos aprovados, feita em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que 37% deles veio de cidades do interior, sendo 14% de municípios com menos de 100 mil habitantes.
"Conseguimos atrair pessoas de 908 municípios para as vagas imediatas e, no cadastro de reserva, temos pessoas de 1.400 cidades. Foi um avanço importante na representatividade regional", afirmou. O balanço mostra que 33% dos selecionados ingressaram por meio de cotas para negros, indígenas e pessoas com deficiência, grupos tradicionalmente subrepresentados. Em alguns blocos, como os de áreas sociais (blocos 4,5 e 8), esse percentual chegou a 37%.
Essa diversidade e inclusão, ponderou a ministra, decorreu das escolhas feitas na preparação do concurso, como as cotas para pessoas negras, PCDs e indígenas (para cargos da Funai) e a aplicação da prova em 228 cidades e com 94% dos candidatos com acesso a locais a até 100 quilômetros da sua residência. Por isso, adiantou, essa política será mantida na segunda edição. A ministra confirmou que o CPNU 2 acontece ainda esse ano, com prova no segundo semestre.
Sobre o perfil dos aprovados, o balanço revela que a idade média foi de 34,8 anos, sendo mais baixa (30,9 anos) entre os candidatos de nível médio. Quase metade (48,6%) trabalhava no setor público em 2023, mas 60% tinham alguma experiência anterior na área, segundo dados preliminares levantados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), parceiro do MGI na avaliação do CPNU. "Isso mostra que o concurso atraiu tanto servidores que buscavam mudar de carreira quanto pessoas que nunca haviam atuado no governo federal", explicou Dweck.
“Em termos regionais, o Sudeste tem a maior população, então era esperado que tivesse mais aprovados, mas o Nordeste também teve uma participação expressiva. Nossa estratégia para aumentar a diversidade regional é realizar mais concursos, com entradas mais frequentes, para que essa distribuição ocorra de forma mais natural”.
Novidades para o CPNU 2
A segunda edição do concurso trará ajustes baseados nos aprendizados da primeira versão do certame. Um dos principais será a mudança na forma de preenchimento dos itens de identificação do candidato nos cartões-reposta, como o tipo de prova realizada, por um código de barras que identifica o candidato. "Alguns candidatos tiveram problemas com as bolinhas de identificação na primeira edição. Com o código de barras, cada prova será vinculada automaticamente ao candidato, sem risco de confusão", explicou a ministra.
O novo sistema funcionará da seguinte forma: cada caderno de questões virá com um código único, que identificará o candidato sem revelar seus dados pessoais aos corretores. "Não é o nome ou número de inscrição, mas a máquina consegue ler e garantir que aquela prova pertence àquela pessoa", detalhou a ministra. Isso será especialmente útil nos blocos com questões embaralhadas, onde diferentes versões da prova circulam na mesma sala. A expectativa é que a tecnologia, já testada em outros concursos, agilize também a correção e a divulgação de resultados. As novas regras serão detalhadas no edital único do CPNU 2.
"É uma evolução natural. Queremos que os candidatos se preocupem apenas com o conteúdo da prova, não com formalidades burocráticas", resumiu Dweck. O edital também será unificado para todos os blocos temáticos, diferentemente da primeira versão, que teve oito documentos separados. "Vamos uniformizar as regras e deixar tudo mais claro", afirmou Dweck. As carreiras serão diferentes das anteriores, com inclusão de duas novas carreiras transversais: Analista Técnico de Justiça e Defesa e Analista Técnico de Desenvolvimento Socioeconômico.
Desafios
Os dados do primeiro CPNU revelaram um desafio persistente: a subrepresentação feminina em carreiras estratégicas da administração federal. Apesar de as mulheres representarem 52% dos inscritos, apenas 41% dos aprovados foram do sexo feminino - percentual que cai para apenas 8% em áreas como Tecnologia da Informação.
A ministra Esther Dweck demonstrou preocupação com os números: "Quando analisamos os blocos separadamente, vemos uma distorção alarmante. Enquanto nas carreiras sociais e educacionais as mulheres são 60% dos aprovados, em TI esse número despenca. Isso reflete um problema estrutural que começa nas escolhas profissionais e se perpetua nos concursos".
O MGI, em parceria com o Ipea, está investigando as causas desse desequilíbrio. Uma das hipóteses é a dificuldade de conciliar estudos intensivos com a dupla jornada feminina. "A maioria dos aprovados tinha entre 35 e 45 anos - fase em que as mulheres costumam acumular trabalho remunerado, cuidados com a família e tarefas domésticas. Precisamos criar condições mais igualitárias", afirmou Dweck.
Como resposta, o governo estuda medidas inspiradas em experiências como a do Ministério das Relações Exteriores, que adotou um sistema de bonificação para mulheres nas fases iniciais de seu último concurso. "Não se trata de reserva de vagas, mas de mecanismos que compensem desvantagens sociais", explicou a ministra. Outra frente é o estímulo à participação feminina em áreas tradicionalmente masculinas, como tecnologia e infraestrutura, por meio de programas de mentoria.
Para o CPNU 2, está prevista uma campanha específica voltada às candidatas, com divulgação de histórias de servidoras bem-sucedidas. "Queremos mostrar que o serviço público precisa e beneficia-se da diversidade de perspectivas que as mulheres trazem", completou a ministra. O desafio, segundo ela, é combinar políticas afirmativas com mudanças culturais mais profundas na sociedade brasileira.
Próximos passos
De acordo com a ministra, o Termo de Referência para a escolha da banca do CPNU 2 deve ser lançado em abril, com provas no segundo semestre de 2025. A ministra reforçou que a ideia é tornar os concursos mais frequentes. "Queremos vagas menores, mas recorrentes, para manter o serviço público oxigenado", concluiu. O primeiro CPNU custou R$ 144,4 milhões.
A ministra Esther Dweck confirmou que não haverá uma edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) em 2026 devido ao calendário eleitoral. "Por ser ano de eleição, é muito mais difícil realizar o concurso. Temos que homologar todos os resultados antes do início do período eleitoral", esclareceu.
A decisão segue a legislação eleitoral, que impõe restrições a concursos públicos durante o processo eleitoral para evitar interferências políticas. Por isso, o governo está priorizando a realização do CPNU 2 ainda em 2025, com provas previstas para o segundo semestre e homologação até junho de 2026.
"Nosso foco agora é fazer uma boa edição em 2025 para que os aprovados possam tomar posse ainda no próximo ano. Para 2026, a previsão é que não tenhamos concurso por causa das eleições", reforçou Dweck.
A ministra destacou ainda que a interrupção em 2026 não significa o fim da iniciativa, mas apenas uma adequação ao calendário eleitoral. "O CPNU é uma política que veio para ficar, mas temos que respeitar as regras do processo democrático", concluiu.