Funasa apresenta soluções para pequenas comunidades em simpósio ambiental
Palestra no encerramento do evento abordou tecnologias de abastecimento de água, saneamento básico e adaptação às mudanças climáticas
A escolha de tecnologias de saneamento básico para pequenos municípios e comunidades rurais deve considerar as condições de cada local e a capacidade de manter os sistemas em funcionamento. Esse foi um dos pontos abordados pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no encerramento do 13º Simpósio Internacional de Qualidade Ambiental (SIQA) 2026, na última sexta-feira (25), em Porto Alegre (RS).
Com o tema “Tecnologias ambientais e inovação”, o evento organizado pela seção Rio Grande do Sul da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes-RS) reuniu profissionais, pesquisadores, estudantes e gestores para discutir questões como segurança hídrica, reuso de água, soluções baseadas na natureza e os efeitos das mudanças climáticas.
O diretor do Departamento de Engenharia de Saúde Pública (Densp) da Fundação, José Antonio da Motta Ribeiro, apresentou soluções para saneamento básico, saúde ambiental e adaptação às mudanças climáticas. A palestra integrou a atividade de encerramento do encontro, que incluiu ainda a premiação de trabalhos técnicos.
Tecnologias para territórios - José Antonio destacou a importância da inovação como resposta a problemas concretos, citando três desafios que influenciam a escolha das soluções: as mudanças no clima, a falta de infraestrutura e as diferenças entre os territórios. Uma tecnologia adequada a uma cidade pode não funcionar da mesma forma em uma comunidade rural distante, especialmente se depender de energia elétrica, peças difíceis de obter ou manutenção frequente.
No semiárido, a reservação de água ajuda as famílias a atravessar períodos de estiagem. Segundo o diretor, cerca de 21 mil cisternas estão em implantação pela Funasa em sete estados do Nordeste e em Minas Gerais, com orientações às famílias sobre o uso e a conservação dos reservatórios. José Antonio também mencionou alternativas de tratamento descentralizado para comunidades isoladas, entre elas a SALTA-z, que utiliza filtros com zeólita e viabiliza água para consumo humano.
A qualidade da água foi outro ponto da apresentação. Equipamentos de campo, laboratórios e unidades móveis podem apoiar o monitoramento em localidades distantes e em situações de emergência. Para o diretor, escolher como captar, tratar e armazenar a água exige conhecer as fontes disponíveis e as condições de operação de cada local.
El Niño e águas pluviais - A palestra relacionou essas decisões aos riscos climáticos previstos para 2026 e 2027, inclusive os possíveis efeitos do chamado Super El Niño. José Antonio abordou cenários de seca e estiagem, chuvas intensas, ondas de calor e incêndios. As respostas variam conforme o risco: em uma área sujeita à falta de água, pode ser necessário ampliar a reservação e proteger as fontes; em locais expostos a enchentes, o manejo da água da chuva e o monitoramento da qualidade da água ganham mais importância.
Ao explicar o manejo das águas pluviais, José Antonio citou medidas que ajudam a reter a chuva antes que ela se acumule nas áreas mais baixas. Ele também abordou a proteção de nascentes e outras soluções baseadas na natureza. A escolha dessas medidas depende das características do terreno e do problema que se pretende enfrentar.
O diretor tratou ainda da falta de instalações sanitárias nas moradias e citou um levantamento que identificou mais de 1,3 milhão de famílias no país que não têm uma instalação adequada. Para enfrentar esse e outros problemas do saneamento rural, ele destacou a importância de combinar tecnologia, gestão e participação dos moradores. A orientação sobre o uso e a manutenção dos sistemas ajuda a mantê-los em funcionamento depois da instalação.

