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Notícias
AUDIOVISUAL
Foto: Monick Miranda
“O financiamento da Lei Paulo Gustavo foi essencial para a concretização do Festival Cine Deburu. Sem esse apoio, um evento desse porte, com esse recorte específico, dificilmente aconteceria. A LPG possibilitou não apenas a estrutura necessária para a exibição dos filmes, mas também a realização de atividades formativas e debates que ampliam a discussão sobre racismo religioso e representatividade no audiovisual”, celebra Andyara Miranda, idealizadora e coordenadora de produção do evento cinematográfico dedicado à exibição e valorização de curtas-metragens que abordam temáticas relacionadas às religiões de matriz africana.
“O Cine Deburu abre caminhos para que mais produções afro-religiosas sejam feitas, exibidas e valorizadas. Queremos que esse festival seja um espaço contínuo de resistência, memória e celebração do cinema afrodiaspórico”, acrescenta.
O festival será realizado de 21 a 23 de março de 2025, no Complexo Cultural de Planaltina (DF), e contará com mostras competitivas que reúnem curtas-metragens de diferentes gêneros e formatos, que tenham elementos relacionados às religiões afro-brasileiras.
Os filmes selecionados serão exibidos em três mostras competitivas: Melhor Filme de Ficção, Melhor Filme de Não Ficção e Melhor Filme pelo Júri Popular.
De acordo com a organização, 218 filmes de todas as regiões do Brasil foram selecionados, com destaque para os gêneros documentário e ficção, finalizados entre 2020 e 2025, com até 30 minutos de duração.
Com entrada gratuita, o Festival pretende consolidar-se como um espaço de promoção da cultura afro-brasileira, ampliar a visibilidade da filmografia afro-religiosa e proporcionar um ambiente sociocultural enriquecedor, favorecendo uma imersão inter-religiosa.
Valorização do cinema afro-religioso
Segundo a organização, a importância dessa iniciativa para o cenário audiovisual brasileiro está em dar visibilidade ao cinema afro-religioso, um segmento historicamente marginalizado.
“O cinema afro-religioso ainda enfrenta grandes desafios no Brasil, desde a marginalização das religiões de matriz africana até a ausência de incentivos para produções que partam da perspectiva dos povos de axé”, analisa Andyara Miranda.
Para ela, a realização do festival no Centro-Oeste também questiona a concentração da produção e circulação audiovisual nos grandes centros urbanos, e reafirma a importância da descentralização e da representatividade geográfica.
“A existência de um evento totalmente voltado para a valorização dessas narrativas representa uma conquista e um marco de reconhecimento para muitos. Além disso, a execução do festival por um terreiro de candomblé Ketu reforça a legitimidade dessa iniciativa, garantindo que as histórias exibidas sejam tratadas com respeito e fidelidade às suas tradições”, destaca.
Curadoria e seleção dos filmes
Os curtas-metragens inscritos serão avaliados por uma equipe de curadoria escolhida pela organização do festival, composta por artistas e produtores culturais do Distrito Federal.
A curadoria desta edição teve como compromisso trazer narrativas afrodiaspóricas contadas de dentro para fora, evitando leituras estereotipadas ou exotizantes. Os filmes selecionados abordam temas como ancestralidade, identidade e espiritualidade, baseando-se nas vivências reais das comunidades de axé.
A cineasta e produtora cultural Ana Caroline (Poney), uma das juradas do evento, destaca que o festival permite a quebra de preconceitos e estereótipos, além de dar visibilidade a histórias que raramente encontram espaço na grande mídia.
“São histórias que precisam ser contadas. Acredito que o nosso povo de axé tem muito a compartilhar, e não apenas no contexto religioso ou doutrinário. O universo das tradições de matriz africana é extremamente rico culturalmente. Um festival como esse nos permite ver filmes que abordam diversos aspectos dessa cultura e dessa cosmovisão de mundo”, ressalta.
Ela também pontua a importância de saber quem está por trás das câmeras.
“Essencial valorizar narrativas contadas por pessoas negras, LGBTQIA+ e de terreiro, pois oferecem um olhar interno e sensível sobre essas vivências, diferente de um observador externo que apenas reproduz uma visão distante”, analisa a jurada.
Atividades formativas e debates
Além da exibição dos filmes, o Festival Cine Deburu contará com um ciclo de debates e atividades formativas, voltado para a capacitação de profissionais do audiovisual. A proposta busca ampliar o diálogo inter-religioso e fortalecer a representatividade das religiões de matriz africana na produção cinematográfica.
“O público pode esperar mesas de discussão com realizadores e pesquisadores, além de oficinas voltadas à formação de novos profissionais dentro e fora das comunidades de axé. Esse movimento é fundamental para garantir que o cinema afro-religioso não apenas exista, mas também se fortaleça como linguagem e mercado”, explica a idealizadora.
O festival também busca fortalecer parcerias institucionais, ampliar a circulação das produções e consolidar-se como uma referência no circuito de festivais brasileiros, também de garantir a continuidade e o fortalecimento do cinema afro-religioso.