POR QUE CONVERSAR IMPORTA?
Existem evidências robustas de que, quando pais, mães, cuidadores e professores conversam mais com crianças e adolescentes, o risco de envolvimento deles com álcool, drogas e outras substâncias diminui.
10 MOTIVOS E DICAS PARA CONVERSAR
MAIS COM ADOLESCENTES
1 - Conversa aberta cria um espaço de proteção
Famílias com comunicação aberta têm menores taxas de uso de substâncias entre adolescentes.
3 - Crie o hábito da conversa desde a primeira infância
Ter conversas habituais com seu filho ajuda a evitar riscos maiores depois. Intervenções iniciadas antes dos 14 anos trazem mais resultados e são mais duradouras.
5 - Evite apresentar drogas para crianças e associá-las ao medo
Na infância, não é recomendado nomear ou descrever os tipos de drogas para preveni-las. É mais eficaz fortalecer vínculos, desenvolver habilidades socioemocionais e construir formas saudáveis de lidar com desafios. É esse tipo de conversa que, de fato, protege.
7 - Conversar ajuda o adolescente a pedir ajuda
Quem conversa em casa fica mais seguro e confiante para procurar ajuda antes de se envolver em risco.
9 - Não fique cobrando de forma insistente
Quando os adolescentes preferem ficar sozinhos, isolados no quarto ou o tempo todo nas redes sociais, é comum ver os pais dizerem: “Larga esse celular! Fica um pouco com sua família!”. A intenção é boa, mas o efeito pode ser o contrário, pois você fica mais irritado e o ciclo só se agrava. Quando os adolescentes se calam, nem sempre é porque não querem falar.
2 - Vínculo familiar é fator de proteção
Famílias fortalecidas ajudam a reduzir o risco de uso de drogas.
4 - Conversas rendem mais que ameaças
Estratégias baseadas no medo não funcionam e podem até estimular a experimentação. Diálogos que envolvem uma escuta atenciosa, em espaços acolhedores, podem fortalecer as condições e autonomia deles para lidar de forma saudável com o tema de álcool e outras drogas.
6 - Diálogo reduz comportamentos de risco
Ambientes familiares positivos reduzem em até 40% o risco de uso precoce de substância, por isso é importante conversar, ouvir e acolher os adolescentes.
8 - Família + escola + saúde protegem mais
Crianças e adolescentes com múltiplos apoios têm até 50% menos comportamentos de risco.
10 - Demonstre interesse pelo universo do adolescente
Uma boa forma de iniciar uma conversa é fazer perguntas que demonstrem o seu interesse pelo mundo deles, como: o que você tem gostado de fazer ultimamente? O que anda deixando mais animado ou preocupado? Tem algo que você viu ou ouviu hoje que ficou na sua cabeça?
CUIDAR É UMA TAREFA COMPARTILHADA.
VOCÊ NÃO PRECISA FAZER ISSO SOZINHA/O.
ONDE BUSCAR APOIO?
GESTORES PÚBLICOS,
PREVENÇÃO EFICAZ SE CONSTRÓI COM EVIDÊNCIAS.
Conversar é cuidar e cuidar é gerir com evidências. Baseie-se no programa CRIA para implementar ações em seu dia a dia, disponível em criaprevencao.com.br.
O Programa CRIA
Programa CRIA – Prevenção e Cidadania, lançado em junho de 2024, é uma estratégia nacional de prevenção ao uso de drogas, violências e desfechos negativos associados.
Tem como objetivo reduzir a exposição de crianças, adolescentes, jovens, suas famílias e comunidades a experiências de exclusão, desigualdade de oportunidades e violências, utilizando estratégias baseadas em evidências científicas e adaptadas aos contextos locais.
Também promove o pertencimento, o engajamento escolar, a coesão familiar e as práticas institucionais alinhadas à cultura de paz, com ênfase na prevenção de violências e da criminalidade no contexto da Política sobre Drogas.
O CRIA SE ORGANIZA
EM TRÊS EIXOS DE ATUAÇÃO
As metodologias implementadas no âmbito do CRIA compartilham princípios comuns: são baseadas em evidências científicas, possuem avaliações de efetividade nacionais e internacionais, utilizam protocolos estruturados, e são adaptadas ao contexto brasileiro a partir de critérios técnicos, culturais, raciais e de gênero. Essas intervenções atuam sobre comportamentos intermediários reconhecidos pela literatura científica como preditores de desfechos futuros, tais como habilidades socioemocionais, vínculos familiares, clima escolar, práticas parentais e pertencimento comunitário.
Atualmente, três metodologias estão disponíveis: Elos – Construindo Coletivos, #Tamojunto e Famílias Fortes atuam de forma complementar e progressiva. Enquanto o Elos prioriza o fortalecimento de vínculos, cooperação e autorregulação emocional em crianças, o #Tamojunto aborda habilidades de tomada de decisão, manejo de pressões sociais e prevenção do uso precoce de álcool entre adolescentes. Já o Famílias Fortes concentra-se no desenvolvimento de práticas parentais responsivas, comunicação familiar e supervisão protetiva, reconhecendo a família como um contexto relevante — mas não exclusivo — da prevenção.
1 - A metodologia Famílias Fortes resultou em:
- redução de até 60% nas práticas parentais negligentes;
- aumento de cerca de 10% em práticas educativas saudáveis e disciplina não violenta;
- redução de 79% na exposição dos adolescentes à embriaguez parental.
2 - A metodologia #Tamojunto apresentou:
- 19% menos relatos de vitimização para bullying;
- 30% de redução da perpetuação da vitimização do bullying;
- 30% menos chances de início integral do uso do álcool pelos estudantes.
3 - A metodologia Elos apresentou:
- Melhora nas respostas das crianças no tocante a cooperação, respeito, ajuda mútua, comunicação e autonomia;
- Fortalecimento de habilidades pedagógicas inclusivas e de gestão de sala de aula participativa por parte do professor(a);
- Melhora na concentração e redução de interação.
Reconhece que adolescentes e jovens expostos a múltiplas vulnerabilidades demandam estratégias adicionais, focalizadas e integradas. As ações desse eixo priorizam a qualificação de profissionais e o fortalecimento das redes de proteção, incorporando abordagens de saúde mental, redução de danos, direitos humanos e justiça restaurativa, alinhadas às evidências mais recentes sobre prevenção seletiva e indicada.
Amplia o olhar da prevenção para o nível sistêmico e comunitário. Por meio de iniciativas como o PIPA – Territórios Preventivos, os Currículos de Prevenção e o Comunidades Que Cuidam (CQC), o CRIA apoia municípios na construção de sistemas territoriais de prevenção, baseados em diagnósticos participativos, uso de dados, articulação intersetorial e monitoramento contínuo. Essa perspectiva reconhece que políticas eficazes dependem da coordenação entre educação, saúde, assistência social, segurança pública e sociedade civil.
Transversalmente, o programa investe em monitoramento, avaliação e produção de evidências, por meio de instrumentos padronizados, indicadores nacionais e do apoio do Comitê Científico CRIA Ciência. Essa estrutura assegura que as decisões de política pública sejam informadas por dados confiáveis, promovendo transparência, melhoria contínua e sustentabilidade das ações preventivas.
Dessa forma, o CRIA consolida-se como uma política pública que busca integrar ciência, gestão e território, promovendo a prevenção como uma estratégia de promoção da cidadania, redução de desigualdades e garantia de direitos de crianças, adolescentes, jovens e suas comunidades.